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San Pedro de Atacama para Salta - 1º Dia da Volta

Hoje iniciamos a volta para casa.
Saímos cedo de San Pedro, mas nem tanto para não pegar muito frio na passagem, mesmo assim pegamos -2ºC. O visual estava fantástico. Uma das motos teve o pneu da frente rasgado no início da viagem. Fizemos alguns remendos com o Tubless, o suficiente para levar a moto até Salta onde compramos um pneu novo.
No caminho de volta vimos o estrago que a chuva fez nos últimos dias, inclusive com destruição de um pequeno trecho da estrada, tivemos que pegar um desvio de 1 km. Dormimos em Salta mesmo. Desistimos de ir a Cafayate conforme havíamos planejado por causa do evento do pneu, que atrasou um pouco a programação.


Paso de Jama com Neve

Nunca havia pilotado a moto na neve, e confesso que quando via aquele asfalto branquinho,  fiquei um pouco ansioso. Não tinha muita dica de como proceder, mas não havia outra opção a não ser continuar. Procurei não inclinar muito a moto nas curvas e na reta mantive velocidade constante e baixa. O termômetro indicava 2ºC e piscava alertando sobre o risco de neve, o que já era uma realidade. Apos uns 15 minutos, começamos a descer e a neve transformou-se em uma garoa fina, seguindo de um vento fortíssimo, até chegarmos a San Pedro.


San Salvador de Jujuy - Paso de Jama - Atacama

A travessia dos Andes pelo Paso de Jama é fantástica e o visual é deslumbrante. Saímos da região de Jujuy  numa altitude próxima a 2000 m e atingimos 4800 m nos pontos mais elevados. A temperatura oscilou entre 38º e 2º, com vista para cumes gelados, altiplanos, salares e vulcões.
Muito cuidado com a gasolina, pois o primeiro posto depois de Jujuy é em Susques, a cerca de 200 km, tem um na cidade e outro 3 km depois. Depois só em Jama, na fronteira e em San Pedro de Atacama. O trajeto todo tem 480 km, mas reserve um dia para fazê-lo, pois são inúmeras as paradas para apreciar e fotografar a paisagem.


 




Salta - San Salvador Jujuy pela RN 9 (95 km)

Para ir de Salta à San Salvador de Jujuy, existem duas alternativas. Pode ser pela autopista RN 32  , ou pela RN 9, uma estradinha muito simpática, com belas paisagens e muitas curvas.
Saímos de Salta logo após o café, e pegamos a RN 9 por dica de alguns Argentinos que encontramos quando íamos para Salta. Valeu a pena! São 95 km de divertimento garantido.
Cuidado nas curvas com os carros que vem no sentido contrário, o espaço é pequeno. É bom abastecer antes, pois não existe posto no trajeto.


Pres Roque Saénz Peña - Salta (680 Km)

Este trecho é praticamente uma reta só pela RN16, a estrada com mais buracos de toda a viagem. Muito cuidado, mantenha uma boa distância da moto da frente para te dar tempo de negociar com os buracos. A paisagem é interessante, mas sem grandes atrativos. O vento é constatante, com bastante poeira. São poucos postos no trajeto, sugiro abastecer em todos.




Puerto Iguazu - Pres Roque Sáenz Peña (810 Km)

Marcamos para sair bem cedo, mas como todo início de viagem perdemos tempo com alguns afazeres. Primeiro que nem todos tinham Pesos Argentinos, e como poucos postos aceitam "Tarjeta de Crédito", somente "Efectivo", saímos para fazer o cambio. Segundo que um de nós perdeu a carteira de motorista, e após uma horinha de stress, conseguimos recuperá-la na imigração. Deve ter caído durante toda aquela checagem de documentos.
Para abastecer também estava difícil, com muita fila nos poucos postos de Puerto Iguazu. Fomos aconselhados a abastecer mais pra frente, a cerca de 40 km , onde haviam alguns postos, o que fizemos com tranquilidade.
Pegamos a RN12 e fomos em direção a Posadas e depois Corrientes.
O trajeto até Posadas é muito gostoso, com boas curvas, mas muitas cidades no caminho.  Poucos postos YPF com gasolina. Abastecemos num Esso em Posadas e seguimos em frente. Até Corrientes também tem poucos postos, na verdade 3 e um deles sem gasolina.
O tanquinho de 10 litros só foi utilizado uma vez em toda viagem pela VStrom, que estava gastando um pouco mais que as outras, mas só de saber que ele estava lá, deixou a viagem mais tranquila.
Em Corrientes, não é permitido trafegar de moto pelas pistas centrais que atravessam a cidade, mas só descobrimos isto tarde de mais. O guardinha nos parou um pouco antes da ponte sobre o Rio Paraná. Resolvemos rapidamente e fomos em direção a Resistencia e depois pela RN16, fomos até Presidencia Roque Saenz Peña para dormir, que é a maior cidade antes da grande reta até Salta. Lá dormimos no Hotel Gualok.









Puerto Iguazu - Pres. Saenz Pena

Boas opções de abastecimento até Posadas. Fuja dos postos em Puerto Iguazu sempre com longas filas e prefira abastecer 60km a frente.

A estrada é bem agradável até Posadas com um pouco de movimento de ônibus e caminhões. Entre Posadas e Corrientes cuidado com a escassez de postos de gasolina.

Corrientes - Muito cuidado logo ao chegar na cidade, na avenida principal - que leva a ponte para cruzar o rio Paraná - é proibida a circulação de motos. Saia para a rua paralela a fim de evitar dor de cabeça com a polícia argentina.

A RN 16 é uma longa reta um pouco movimentada próxima a Corrientes-Resistência. Abasteça sempre pois falta nafta em algumas estaciones de servicio.


 RN 16 - Ventos fortes levantando muita poeira

Estacion de Servicio na RN 16



Sao Paulo - Puerto Iguazu (1070 km)


Saia bem cedo de São Paulo para fazer a imigração ainda no primeiro dia e trocar alguns pesos em Puerto Iguazu - os postos da Argentina não costumam aceitar tarjeta de credito.

Não pare para almoçar! Cai muito o rendimento. Prefira refeições leves nas paradas para abastecimento e uma boa parrillada em Puerto Iguazu na chegada.


Nos encontramos as 6:30h no primeiro posto Graal da Castelo. O grupo fechou em 4 motos, 3 GS e 1 VStrom DL1000. Saímos um pouco depois das 7, tempo bom. A viagem foi muito tranquila, muito calor, principalmente no Paraná, em alguns trechos o termometro marcava 40 graus, mas a chuva aliviou o calor no final da viagem. Nem quisemos parar para colocar capa de chuva.
As 19:30, já estávamos fazendo a imigração na Argentina. Nos hospedamos em Puerto Iguazu no Cabanas Del Lenador, que possui uma deliciosa piscina relaxante após 11 horas de estrada.





Zapala – Malargue. (540 km) Ruta 40

Ruta 40


Saimos cerca de 10h da manha e fomos direto para Chos Malal, a 210 km. A estrada é bem desértica com muito vento, a moto anda inclinada o tempo todo, como se estivesse fazendo uma curva.
Abastecemos em Chos Malal, com fila de 30 minutos no único posto.


Fila para abastecimento

Coloquei mais 5 litros num tanquinho, pois até Malargue são 340 km, aparentemente sem postos. Os primeiros 130 km são ótimos, depois 40 km de rípio muito fofo, parecia caixa de brita, tínhamos que andar em pé por vários trechos pois a moto dançava muito.




Ruta 40
Ruta 40
































Depois seguiu um longo trecho de asfalto e no final mais 20 km de rípio, bem melhor . Chegamos em Malargue as 20h. Cidade turística, a 70 km da estação de esqui Las Lenãs.


Chegando em Malargue



Pucon - Zapala (370 km) Ruta 40


Saímos de Pucon de volta a Argentina, em direção a Junin de Los Andes. A parte chilena é linda, contorna o vulcão Lanin. A fronteira está no meio de 27 km de rípio, um pouco dificultoso, mas com lindas paisagens. A imigração foi bem tranquila. Seguimos até pegar a Ruta 40 em direção ao norte.

Estrada para Argentina

Estrada para Argentina

Estrada para Argentina




Iniciando a Ruta 40


No trajeto, resgatamos o Charles e a namorada, um casal argentino que estava com o pneu da moto furado e há quase duas horas empurrando-a naquele calor. Enchemos o pneu com a bomba do Maurício e um spray reparador, e o escoltamos por 130 km até Zapala, o pneu esvaziou mais duas vezes no trajeto. Eles só tinha chimarrão para beber. 

Resgatando Charles

Resgatando Charles

Escoltando Charles
Chegamos a Zapala e fomos logo abastecer antes de procurarmos um hotel, e para a nossa surpresa não havia gasolina nos únicos 3 postos da cidade. Pelo que falaram, a falta de combustível era comum naquela região.

Ficamos um pouco preocupado, pois a nossa gasolina não daria para chegar na próxima cidade, mas como não tínhamos o que fazer, fomos para um hotel tomar cerveja e dormir.

Logo após o café da manhã, fomos avisados que havia chegado gasolina no posto Petrobras. Rapidamente fomos para lá e após 30 minutos de fila estávamos pronto para seguir viagem.

Mendoza - Caracoles de Villavicencio

Caracoles de Villavicencio
A programação é ficar 2 noites em Mendoza e fazer passeios locais. Ficamos hospedados no Apart Hotel San Lorenzo.
Logo cedo saímos para Uspallata pelos Caracoles de Villavicencio, uma reserva natural que sai de 700m de altitude a vai até 3150 m, com curvas de rípio, cenários fantásticos, com direito a Lhama no caminho.

Lhamas nos Caracoles de Villavicencio


Estrada para Uspallata.
Altitute 3200m, vista para Aconcágua.
Na parte mais alta do trajeto, uma fantástica vista para a cordilheira dos Andes em torno ao Aconcágua. Ficamos quase 2 horas só observando todo aquele visual, silencio absoluto e voo de condores. Descemos até Uspallata e retornamos a Mendoza pelo asfalto, cerca de 120 km. A noite jantamos na Winery, na rua Montevideo. Um jardim ao lado de uma adega, onde fizemos uma degustação.





















Capilla del Monte – Mendoza (650 km)

Como o dia anterior foi cansativo, resolvemos acordar sem despertador e sair após um bom café da manhã. Fizemos um trajeto por cima, sem passar por Córdoba que é uma cidade grande e movimentada. Subimos pela Ruta 38 e depois pela Ruta 141, onde existe um enorme Salar e fomos em direção a Milagro, Chepes .


Ruta 141
Neste trecho só existe um posto de gasolina, tivemos que andar numa velocidade mais baixa para aumentar a autonomia. Sorte nossa, pois passamos pelo único comando policial com radar de toda a viagem. 


Salar
Ruta 141

A paisagem é bem deserta com cenários fantásticos. Próximo a San Juan, saímos pela Ruta 40 até Mendoza. Chegamos as 19h. Procuramos um restaurante com cadeiras bem fofas para jantarmos, sem se importar com a comida que serviam.

Reconquista – Capilla del Monte (750 km)

Saímos as 8:30 do Hotel e seguimos, fugindo do trafego de caminhões, por rotas alternativas. De Reconquista, seguimos para Vera, Tostado, Ceres e Morteros. As estradas são bem desertas, mas com postos suficientes nas cidades. Entre Vera e Tostado são 150 km sem postos.
Estrada para Tostado

Em Morteros, fomos avisados pelo frentista que estava acontecendo um encontro de motociclistas em Miramar, as margens do Mar Chiquita. Como tínhamos tempo, resolvemos dar uma passada. A cidade é de veraneio e a vista para o Mar Chiquita, um enorme lago, é linda.

Foi muito interessante, fomos bem recebidos, com muitas fotos e perguntas da viagem e das motos. Ficamos por um pouco mais de uma hora e seguimos pela Ruta 17 até Villa del Totoral, já na região das Serras de Córdoba.




Encontro de Moto em Mar Chiquita





Com a organizadora do encontro

Resolvemos então fazer uma brincadeirinha off-road e “cortar” caminho por uma estrada de terra até Capilla del Monte, aproximadamente 60 km. 
Estrada de terra para Capilla del Monte
A estrada é linda, atravessa parte da serra de Córdoba, com lindas paisagens. No meio do trajeto choveu forte, o que atrapalhou um pouco o nosso ritmo, e para ajudar a moto virou enquanto eu passava por um lamaçal, sem maiores consequências, a não ser a quebra de uns dos ganchos da mala lateral esquerda. Chegamos em Capilla del Monte já escurecendo e achamos o hotel Montecassino, no alto da cidade com uma linda vista. Encontramos um argentino, que vinha da Bolívia com a namorada e nos contou das dificuldades da Ruta 40 para o norte, com trechos de rípio muito ruim. Jantamos no Alfonsina, na rua 25 de maio.


Puerto Iguazú – Reconquista (850 km)

Saímos uma pouco tarde de Puerto Iguazu, às 8:30h. Fomos pela Ruta 12 até Posadas e depois para Corrientes. Muita chuva e barro até lá. Entre Posadas e Corrientes tem 3 postos de combustíveis, em 350 km. A estrada é muito boa. Atravessamos o Rio Paraná até Resistência e descemos pela Ruta 11 até Reconquista onde planejamos dormir. O trajeto tem longas retas, com belíssimas paisagens e também combustível suficiente. O ideal, para não se preocupar com isto, é procurar um posto assim que a autonomia da moto baixar de 100km. Passei alguns apuros por achar que daria para chegar no próximo posto. Existe o risco de o posto não ter gasolina, como vocês verão um pouco mais pro fim da viagem. Chegamos em Reconquista as 20:00h e logo achamos o Hotel San Martin, muito simpático, e jantamos no bar Mamy Blue, bem perto do hotel.

Parada para o Por do Sol

Cervejinha no Mamy Blue Bar